nó brasileiro do GBIF SiBBr
List name
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial - Plantas para o Futuro - Região Norte, MMA 2022
Owner
sibbr.brasil@gmail.com
List type
Species characters list
Description
O livro, disponibilizado no formato de lista, apresenta mais de 150 espécies nativas da Região Norte com valor econômico atual ou com potencial e que podem ser usadas de forma sustentável na produção de medicamentos, alimentos, aromas, condimentos, corantes, fibras, forragens como gramas e leguminosas, óleos e ornamentos. Entre os exemplos estão fibras que podem ser usadas em automóveis, corantes naturais para a indústria têxtil e alimentícias e fontes riquíssimas de vitaminas. Produzido pelo Ministério do Meio Ambiente o livro contou com a colaboração e o esforço de 147 renomados especialistas de universidades, instituições de pesquisa, empresas e ONGs do Brasil e do exterior. Por meio da disponibilização dessa obra no formato de lista, os usuários podem realizar filtros diversos, obter os registros das espécies disponíveis na plataforma, além de outras informações. Instituição publicadora: Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade. Nome Completo do Responsável: Lidio Coradin, Julcéia Camillo e Ima Célia Guimarães Vieira. – Brasília, DF: MMA, 2022. Licença de uso: Licença de uso público com atribuição sem fins lucrativos (CC-BY-NC) Como citar: CORADIN, Lidio; CAMILLO, Julcéia; VIEIRA, Ima Célia Guimarães (Ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Norte. Brasília, DF: MMA, 2022. (Série Biodiversidade; 53). 1452p. Disponível em: . Acesso em: dia mês abreviado ano (sem virgula)
URL
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade/manejo-euso-sustentavel/flora
Date submitted
2022-08-30
Last Update
2023-09-28
Is private
No
Included in species pages
Yes
Authoritative
No
Invasive
No
Threatened
No
Part of the sensitive data service
No
Region
Região Norte
Metadata Link
http://collectory:8080/collectory/public/show/drt1661896856710

159 Number of Taxa

133 Distinct Species

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Hymenachne amplexicaulis
Hymenachne amplexicaulis (Rudge) Nees
 
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Hymenaea courbaril
Hymenaea courbaril L.
 
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Hyptis crenata
Hyptis crenata Pohl ex Benth.
 
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Ischnosiphon arouma
Ischnosiphon arouma (Aubl.) Körn.
Pacová
 
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Ischnosiphon gracilis
Ischnosiphon gracilis (Rudge) Körn.
Arumã
 
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Ischnosiphon obliquus
Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn.
 
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Lecythis pisonis
Lecythis pisonis Cambess.
Sapucaia
 
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Leersia hexandra
Leersia hexandra Sw.
 
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Leopoldinia piassaba
Leopoldinia piassaba Wallace
 
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Licaria puchury-major
Licaria puchury-major (Mart.) Kosterm.
 
Action Supplied Name Scientific Name (matched) Image Author (matched) Common Name (matched) Familia Nome popular Grupo kingdom Descricão taxonômica Importância ecológica Distribuição Fonte das informações
Hymenachne amplexicaulis (Rudge) Nees Hymenachne amplexicaulis (Rudge) Nees
Poaceae
Capim-rabo-de-rato
Forrageiras
Plantae
Planta aquática ou subaquática, com colmos medindo cerca de 1 metro de altura ou mais; lâminas de 20-35cm de comprimento, 2-3cm de largura cordado-amplexas, panículas com cerca 8mm de espessura e 20-50cm de comprimento; espículas acuminadas, com 3-4mm de comprimento (Black, 1950). Sinflorescência em panícula compacta, contraída; ráquis angular, inconspicuamente escabra. Espiguetas solitárias com dois antécios; glumas desiguais, a inferior menor; antécio basal neutro, lema membranáceo, sem pálea; antécio superior bissexuado, lema e pálea fracamente enrijecidos, inconspicuamente escabros. Cariopse elipsoide-ovoide, 1,3x0,8mm (Filgueiras; Rodrigues, 2016)
É uma espécie aquática, com fase terrestre (Junk; Piedade, 1993), sendo um dos primeiros capins que surgem, após o período de cheia dos rios amazônicos, amarelecendo e secando rapidamente, após o recuo das águas (Camarão et al., 2006). De acordo com Kibbler e Bahnisch (1999), o mecanismo de adaptação de H. amplexicaulis à inundação está baseado na sua capacidade de rapidamente alongar os colmos, formar raízes adventícias, além de possuir aerênquimas nos tecidos dos colmos, folhas e raízes. A espécie se aproveita do fluxo da água como meio de dispersão de sementes ou fragmentos vegetativos. Apresenta crescimento muito agressivo e boa adaptação ao alagamento do solo, o que favorece a colonização de novas áreas e, em alguns casos, pode ser considerada invasora de margens de rios e locais encharcados, tornando-se a espécie dominante nesses locais. Em decorrência dessas características, pode, portanto, ser um problema potencial para o fluxo de água em canais de irrigação ou de drenagem. Entretanto, estas mesmas características podem ser consideradas positivas na formação de pastagem.
Espécie nativa não endêmica do Brasil, com ocorrência confirmada nas regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina) (Flora do Brasil, 2018
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-95
Hymenaea courbaril L Hymenaea courbaril L.
Fabaceae
Jatobá
Medicinais
Plantae
Árvore de até 15 a 20m de altura , de copa ampla e densa, com tronco mais ou menos cilíndrico, de até 1m de diâmetro. Em indivíduos jovens a base do tronco se apresenta na forma digitada e quando adultas as raízes são superficiais e longas. A casca é bege e cinza, as vezes marrom. Folhas alternas, pecioladas, compostas de dois folíolos (bifolioladas), coriáceos e falcados (em forma de foice), medindo entre 6 e 10cm de comprimento e 1,5 a 7cm de largura. Flor com cálice campanulado formado por 4 sépalas unidas na base e corola formada por 5 pétalas obovadas brancas e cremes . O fruto é um legume achatado e elipsoide, indeiscente que apresenta a cor verde quando imaturo e marrom-escuro quando maduro, medindo de 5 a 15cm de comprimento . As sementes, em número de 2 a 6 por fruto ou mais, apresentam formato obovoide a elipsoide, envoltas em material farináceo e aromático (Embrapa, 2004).
Floresce com maior intensidade nos meses de outubro e dezembro. Suas flores são polinizadas por morcegos do gênero Glossophaga e seus frutos maduros, ao caírem no chão, fazem parte da dieta alimentar de roedores e macacos, que também atuam como dispersores. Nas condições do Acre, a colheita dos frutos pode ser realizada entre maio a setembro, já no Pará pode ocorrer de agosto a novembro, podendo ser extender até dezembro (Cruz; Pereira, 2015). Dependendo da finalidade, o cultivo pode ser efetuado em plantios puros ou mistos, em pleno sol, com espaçamento variado (Fernandes, 2006). O melhor desempenho econômico desta espécie é obtido em cultivo misto, a pleno sol, associado com espécies de comportamento pioneiro. A espécie apresenta desrama natural deficiente, necessitando condução e galhos, para apresentar fuste definido (Mazzei et al., 1999).
Hymenaea courbaril é amplamente distribuída nos neotrópicos. No Brasil tem ocorrência confirmada nas regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro- -Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná) (Pinto et al., 2017).
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-111
Hyptis crenata Pohl ex Benth Hyptis crenata Pohl ex Benth.
Lamiaceae
Salva-do-marajó
Aromáticas
Plantae
Arbusto, subarbusto ou erva ereta, haste suculenta, pilosa; folhas oposto-decussadas, coriáceas, sésseis, elípticas, ápice agudo ou arredondado, base arredondada ou cordiforme, margem serreada; inflorescências axilares, dispostas em capítulos pedunculados, com brácteas lanceoladas, acuminadas; flores com cálice tubuloso ; corola com tubo infundibuliforme, androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Di Stasi; Hiruma-Lima, 2002; Van den Berg, 2010).
Um estudo sobre a fenologia de H. crenata na Amazônia mostrou que sua floração ocorre durante o ano inteiro, com maior incidência nos meses de setembro a novembro, enquanto sua frutificação ocorre no período de setembro a abril, com maior incidência em janeiro (Neves et al., 2004). No domínio do Cerrado, a espécie frutifica no período de agosto a outubro, na metade e no final da estação seca, quando as queimadas ocorrem mais frequentemente. H. crenata não é resistênte ao fogo, por isso é dependente de dispersores de sementes (Fichino et al., 2016). A polinização da espécie ocorre principalmente por abelhas e seu néctar é uma fonte para a produção de mel (Silva et al., 2012). Devido ao seu crescimento rápido e facilidade de propagação, em alguns locais é considerada planta invasora, especialmente, em área de cultivo de arroz e melancia (Erasmo et al., 2004).
Espécie nativa, não endêmica do Brasil, com ocorrência confirmada também na Bolívia. No Brasil ocorre, nas regiões Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Bahia, Maranhão, Piauí); Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Minas Gerais) (Flora do Brasil, 2018; Tropicos, 2018; Antar; Harley, 2020).
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-55
Ischnosiphon arouma (Aubl.) Körn Ischnosiphon arouma (Aubl.) Körn. Pacová
Marantaceae
Arumã
Fibrosas
Plantae
Ischnosiphon arouma é robusta, com 2m de altura. O caule é um tanto alongado e liso na parte inferior. As folhas são semiovais, com base arredondada e ápice agudo ou levemente pontudo; o pecíolo é invaginante, liso ou levemente piloso. A inflorescência é composta por espigas de várias dimensões, com haste e pedúnculos coriáceos e levemente peluginosos. As flores são amarela-acinzentadas. Os frutos, em cápsulas elípticas, possuem haste de 3cm de comprimento (Rocha, 2011)
Os arumãs apresentam forma de vida herbácea e desenvolvem-se bem em áreas alagadas. Ischnosiphon arouma e I. obliquus são espécies pioneiras e adaptadas a perturbações ambientais, tanto naturais, a exemplo de clareiras e beira de igarapés, quanto antropogênicas, como roças e capoeiras (Shepard et al., 2004; Costa et al., 2008). Ischnosiphon arouma floresce de novembro a maio e frutifica de fevereiro a julho. A dispersão das sementes é realizada, possivelmente, por morcegos ou, após caírem no chão e manterem o arilo, por formigas Ponerinae. Desenvolve-se em qualquer condição topográfica e, quanto à luminosidade, preferem áreas bem iluminadas
No Brasil, I. arouma é encontrada nas regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima), Nordeste (Maranhão) e Centro-Oeste (Mato Grosso)
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-82
Ischnosiphon gracilis (Rudge) Körn. Ischnosiphon gracilis (Rudge) Körn. Arumã
Marantaceae
Arumã
Fibrosas
Plantae
Os arumãs são ervas pequenas e rosuladas ou grandes, com até 10m de altura, de caule aéreo e com aparência de arbustos ou cipós. A inflorescência pode ser simples ou composta; cada florescência é cilíndrica e alongada, com as brácteas fortemente imbricadas e enroladas sobre a raque. As flores são pareadas, com tubo da corola longo (10 a 30 vezes mais longo que largo) e estaminódio externo solitário bastante chamativo. Ischnosiphon gracilis é lianescente, atingindo entre 5 a 7m de comprimento, e paludosa . O caule é segmentado em entrenós ramificados. As folhas são simples, assimétricas, alternas e oblongas, com ápice obliquamente acuminado e base ovado-arredondada. As flores são amarelas, com manchas azuladas e tépalas brancas e dispõem-se em panículas terminais (Vinha et al., 1983; Oliveira et al., 1991; Costa et al., 2008).
Ischnosiphon gracilis é alógama e floresce entre novembro e abril. É polinizada por abelhas, como Euglossa sp., E. bombiformis e Eulaema cingulata. As flores hermafroditas apresentam longevidade de 24 horas, com antese iniciada pela manhã. A dispersão das sementes é realizada por formigas.
I. gracilis ocorre no Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Roraima), Nordeste (Alagoas, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Sergipe),
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-83
Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn Ischnosiphon obliquus (Rudge) Körn.
Marantaceae
Arumã
Fibrosas
Plantae
Ischnosiphon obliquus possui de 3 a 6m de altura. O caule é ereto, não ramificado, liso e sem pelos. As folhas são assimétricas, ovaladas e com ápice assimétrico e arranjam-se em forma de guarda-chuva no ápice caulinar. A inflorescência apresenta de 2 a 3 nós, cada um com até 8 florescências. As flores possuem as partes internas amarelas e apenas as pontas das pétalas roxas (Costa et al., 2008).
Os arumãs apresentam forma de vida herbácea e desenvolvem-se bem em áreas alagadas. Ischnosiphon arouma e I. obliquus são espécies pioneiras e adaptadas a perturbações ambientais, tanto naturais, a exemplo de clareiras e beira de igarapés, quanto antropogênicas, como roças e capoeiras (Shepard et al., 2004; Costa et al., 2008). Ischnosiphon obliquus floresce entre novembro e março (Anderson, 1977; Costa et al.,2008).
I. obliquus está presente no Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima), Nordeste (Maranhão) e Centro-Oeste (Mato Grosso) (Mapa 3). A Amazônia ocidental pode ser considerada o principal centro de diversificação dessas espécies (Costa et al., 2008; Flora do Brasil, 2018; André, 2020).
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-84
Lecythis pisonis Cambess Lecythis pisonis Cambess. Sapucaia
Lecythidaceae
Sapucaia
Ornamentais
Plantae
Árvore medindo entre 20 a 30m de altura (Lorenzi, 2002; Souza et al., 2014). As folhas adultas são coriáceas, glabras, margens onduladas e serrilhadas com pequenos recortes, podem ser cremes, verde-claras ou avermelhadas (Souza et al., 2014), são elípticas, acuminadas, simples, alternas, decíduas e oblongas. As folhas novas são avermelhadas com pecíolos glabros. As flores são delicadas , odoríferas, carnosas e com numerosos estames amarelos, nascem em racemos ou cachos terminais e são andróginas, com 5 pétalas côncavas de cor branco-violácea (Guimarães et al., 1993). Os grãos de pólen apresentam tamanho médio, simetria radial, isopolar, mônades, âmbito circular, forma prolata esferoidal, 3-colporado, exina intectada reticulada (Mori; Prance, 1981; 1990). O fruto é do tipo pixídio, duro, pesado, seco e deiscente, de forma esférica a alongada, possuindo paredes grossas e lenhosas e uma tampa ou opérculo que se abre quando maduro, liberando as sementes, que são grandes, marrons, angulosas, com casca dura estriada e comestíveis (Guimarães et al., 1993; Lorenzi, 2002).
Sapucaia ocorre geralmente na floresta primária densa, mas também pode ser encontrada em formações abertas. Espécie decídua, perde todas as suas folhas entre o final do inverno e o início da primavera, ficando desfolhada por 10 a 15 dias antes da floração, que acontece na Amazônia de julho a janeiro e no resto do Brasil de setembro a novembro, concomitantemente com a emissão das folhas novas (Mori et al., 1980; Mori; Prance, 1990). As flores abrem-se antes das 7h30min. e são polinizadas, principalmente, por abelhas. L. pisonis é uma espécie dependente de Xylocopa frontalis (Olivier) para a produção de frutos (Mori et al., 1980; Mori, 2002). Mori e Orchard (1979), destacam que o pólen da sapucaia é de dois tipos distintos, e estão organizados em dois locais diferentes. A X. frontalis, retira um dos tipos enquanto o outro fica depositado na sua cabeça e nas costas, sendo, posteriormente, transferido para os estigmas das outras flores visitadas. Sua dispersão é realizada por vento, água e animais, princialmenté por macacos (Vallilo, 1998; Mori, 2002).
Lecythis pisonis é nativa e endêmica do Brasil, ocorrendo nas Regiões Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia), Nordeste (Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Santa Catarina) (Flora do Brasil, 2017)
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-153
Leersia hexandra Sw. Leersia hexandra Sw.
Poaceae
Capim-pomonga
Forrageiras
Plantae
Gramínea perene, similar em aparência ao arroz comercial (Oryza sativa), com rizomas alongados ; colmos com 25-150cm de comprimento, decumbentes, enraizando nos nós, com a porção terminal ereta, geralmente flutuante, glabro a escabra próximo aos nós; bainhas escabras a glabras, com margens algumas vezes ciliadas; lígula truncada, 1-6mm de comprimento, auriculada; lâminas foliares de 5-25cm de comprimento, 3-5mm de largura, escabras até quase glabras acima e abaixo; panículas de 5-15cm de comprimento, ramos de 3-13cm de comprimento, filiformes; espiguetas 3-5mm de comprimento; lema acuminada, ciliada (até 0,6mm de comprimento) na quilha e margens, curto híspido a glabro lateralmente, pálea sub igual com a lema, ciliada na quilha; estames 6, anteras 2-3mm de comprimento; pistilo cerca de 2,5mm; cariopse oblonga a ovoide, lateralmente comprimida. Número de cromossomos 2n = 48 (Pyrah, 1969).
É uma gramínea perene, com modo de existência palustre e aquático, com fase terrestre (Junk; Piedade, 1993). Pouco tolerante ao fogo e ao pisoteio do gado (Le Cointe, 1947). Na ilha de Marajó essa espécie cobre grandes superfícies de campo, crescendo ereta até cerca de 1m de altura, tombando em seguida e formando uma camada de capim fenado, rente ao solo, coberta por uma camada verdejante (Miranda, 1908). Segundo Camarão et al. (1998) L. hexandra tem hábito de crescimento decumbente. Nas áreas pantanosas da ilha de Marajó, conhecidas como “mondongos”, ou seja, campos baixos que permanecem submersos durante a estação chuvosa, essa espécie pode ser encontrada em formações monoespecíficas, mas também pode ser encontrada nas áreas mais altas (Miranda, 1908). Em ecossistema fluvial, quando em águas rasas, essa espécie pode permanecer presa pelas raízes ao solo, mas em águas profundas, ela passa a flutuar livremente, podendo manter esse modo de vida, por vários anos (Junk; Piedade, 1997).
Espécie encontrada desde os Andes até a foz do rio Amazonas, em todo o estuário amazônico (Black, 1950), sendo muito abundante no arquipélago do Marajó (Miranda, 1908). No Brasil tem ampla distribuição, , nas regiões Norte (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima), Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina) (Flora do Brasil, 2018; Dórea et al., 2020).
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-96
Leopoldinia piassaba Wallace Leopoldinia piassaba Wallace
Arecaceae
Piaçaba
Fibrosas
Plantae
Palmeira com estipe solitário, 5-6m de altura quando adulta, até 30m (piaçabeiras gigantes). Folhas pinadas, bainhas com muitas fibras soltas, alongadas e pendulas de coloração amarronzada, quando novas são claras e flexíveis, e quando velhas são acinzentadas e quebradiças. As fibras podem atingir mais de 1m de comprimento, revestindo densamente a parte superior do estipe até o meio ou, às vezes, até à base, causando uma aparência curiosa e única, semelhante a uma “barba”. Inflorescência interfoliar, unissexual. Inflorescência estaminada geralmente mais longa que a pistilada, mas a maior diferença está na ramificação. As estaminadas possuem ráquilas até a quarta ordem, são curtas, finas e numerosas. As ráquilas pistiladas ramificam-se até a terceira ordem, são mais longas e espessas. Ocasionalmente ocorrem tríades, com uma flor pistilada no centro e dois botões estaminais laterais, mas antes da antese as flores estaminadas abortam. Os frutos são drupáceos, ovalados ou elipsoides de cor castanho-alaranjada ou marrom-avermelhada quando maduros, rico em ácidos graxos, tocoferóis e esteroides; o epicarpo é verde quando imaturo e marrom-vermelho quando maduro, com textura enruga da; o mesocarpo é fibroso de cor branca com gosto e cheiro adocicados e fortes; o endocarpo é fibroso, formando camadas resistentes que envolvem a semente, a qual é branca, lisa e dura (Guánchez; Romero, 1995).
A bacia do Rio Negro é a única área da Amazônia onde ocorre os piaçabais nativos, com as maiores concentrações ao longo da vegetação de campinarana ou caatinga do rio Negro, onde formam as “reboladas” ou “ilhas” (Meira, 1993). A deficiente drenagem do solo, alto nível freático, pela presença de horizonte pedogênico (no interflúvio mal drenado) ou a proximidade ao igarapé, parecem ser as principais variáveis ambientais na distribuição da espécie, que dificilmente cresce em áreas de inundação constante (Oliete, 2008). A espécie floresce uma vez por ano (outubro-novembro). Durante o período anual de floração, cada planta geralmente tem apenas um tipo de inflorescência que pode ser diferente de ano para ano(Guánchez; Romero, 1995). A frutificação ocorre nos meses de maio a junho, de forma moderada e com elevada variabilidade interanual. Os frutos da piaçaba têm sabor suave e aroma adocicado e atraem inúmeros mamíferos (antas, pacas, porcos do mato, cutia e macaco),que contribuem para sua dispersão e favorecem o crescimento das plantas mesmo em áreas atípicas (Oliete, 2008). As piaçabeiras apresentam importante função ecológica no ecossistema onde ocorrem, servindo de abrigo para animais de várias espécies, principalmente insetos, artrópodes e répteis. Por outro lado, isso interfere no processo de coleta da fibra, eventualmente, causando acidentes graves aos coletores que são picados por esses animais (Mascarenhas, 1987). Segundo Duncan et al. (2015) a doença de Chagas está claramente associada ao extrativismo da piaçaba (L.piassaba) na Amazônia.
Leopoldinia piassava é uma palmeira nativa, não endêmica do Brasil (Leitman, 2018). No Brasil, , está restrita à Região Norte (Amazonas), entre o médio e alto rio Negro, nos municípios de Barcelos, Santa Isabel do rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Japurá Barcelos, que formam o principal e maior polo produtor de fibras desta espécie no País (Meira, 1993; Oliete, 2008; Henderson, 2011).
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-85
Licaria puchury-major (Mart.) Kosterm Licaria puchury-major (Mart.) Kosterm.
Lamiaceae
Puxuri
Aromáticas
Plantae
Árvore que pode alcançar entre 15-20m de altura, córtex aromático e râmulos glabros. Folhas alternas ou subopostas, cartáceas ou subcoriáceas, elípticas de 8-14cm de comprimento e 3,5-5,5cm de largura, ápice acuminado ou brevemente caudato, base obtusa ou tendendo a aguda, glabras e lustrosas na face ventral, pardacentas e semi-lustrosas, mais claras na face dorsal. Flores amarelo-esverdeadas com perianto tubuloso, cilíndrico, com lobos agudos reunidas em inflorescências racemo-paniculadas, axilares; gineceu de ovário glabro, elipsoide; estilete curto e estigma atrofiado, obtuso; androceu com dois verticilos externos estéreis; anteras três; introrsas, férteis no verticilo interno. Os frutos são bagas ovoides, com 3,5cm de comprimento de 1,5cm de diâmetro; endocarpo doce e aromático, com apenas uma semente inserida em uma cúpula espessa e rugosa ; cotilédones espessos e aromáticos esverdeados quando imaturos, com tépalas persistentes e lenticelas presentes na cúpula e no pedicelo (Ribeiro et al., 1999; Berg, 2010).
Kerr (1982) afirma que o puxuri é uma árvore de fácil cultivo, havendo também a possibilidade da extração do óleo das folhas, pois não seria necessário destruir a árvore. Segundo Graça (2003) o puxuri floresce anualmente de maio a agosto, a produção de frutos é mais abundante a cada três anos e sua maturação ocorre geralmente entre os meses de fevereiro e março.
Espécie nativa, porém não endêmica do Brasil, com ocorrência restrita à Região Norte (Amazonas, Pará) (Flora do Brasil, 2017)
Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial: Plantas para o Futuro - Região Norte Lidio Coradin; Julcéia Camillo; Ima Célia Guimaráes Viera. Brasília: MMA, 2022. 1454 p ISBN 978-65-88265-16-56
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